Revista Pan-Amazônica de Saúde https://ojs.iec.gov.br/rpas <p><a href="https://ojs.iec.gov.br/index.php/rpas/user/register"><strong>CADASTRE-SE</strong></a><strong> </strong>agora mesmo e envie seu trabalho para publicação. 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Com periodicidade trimestral, publica artigos nos campos epidemiológico, entomológico, ecológico, antropológico, socioeconômico, dos imunobiológicos, do meio ambiente e outros relacionados à saúde humana. Aceita contribuições em português, inglês e espanhol e, na versão eletrônica, disponibiliza artigos completos nos três idiomas, sem nenhum custo para o autor. Adota o sistema de avaliação por pares (<em>peer review</em>), segundo o qual cada artigo é avaliado por, no mínimo, dois pareceristas. Seu Corpo Editorial é formado por renomados pesquisadores nacionais e internacionais. Dispõe de DOI (<em>Digital Object Identifier</em>), o que facilita sua localização e acesso na Internet. Permite a inclusão de material suplementar – como áudio, vídeo, planilha, slide e outros. É indexada nas bases <a href="https://www.latindex.unam.mx/" target="_blank" rel="noopener">Latindex</a>, <a href="https://www.crossref.org/" target="_blank" rel="noopener">CrossRef</a> e <a href="https://www.freemedicaljournals.com/" target="_blank" rel="noopener">Free Medical Journals</a>, além das bases de dados da <a href="https://www.bvsdip.icict.fiocruz.br/" target="_blank" rel="noopener">BVS DIP – ICICT/Fiocruz</a>, <a href="https://bvs.iec.gov.br/iec/" target="_blank" rel="noopener">BVS IEC</a> e <a href="https://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_serial&amp;pid=2176-6223&amp;lng=pt&amp;nrm=iso" target="_blank" rel="noopener">Portal de Periódicos Eletrônicos do IEC</a> (Metodologia SciELO).</p> <p> </p> <p><strong><a class="tx10" href="http://revista.iec.gov.br/htm/pt/instruction.htm" target="_blank" rel="noopener">Clique aqui para acessar as Normas para Publicação</a></strong>.</p> pt-BR revista@iec.gov.br (Núcleo Editorial) suporterevista@iec.gov.br (Suporte) Thu, 17 Apr 2025 00:00:00 +0000 OJS 3.3.0.13 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Saúde e Amazônia no epicentro do enfrentamento às mudanças climáticas https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1877 <p>O Sistema Único de Saúde (SUS) completa 35 anos em 2025, contados a partir da sanção da Lei Orgânica da Saúde, em meio a um dos maiores desafios contemporâneos e a uma oportunidade histórica<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B1"><sup>1</sup></a>. As evidências sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde são robustas e incontestáveis, não apenas em relação aos riscos futuros, mas também quanto aos efeitos imediatos já observados na saúde das populações<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B2"><sup>2</sup></a>.</p> <p>Nesse contexto, o Brasil reassume papel de destaque global ao sediar, mais de 30 anos após a ECO-92<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B3"><sup>3</sup></a>, um novo marco na agenda internacional da sustentabilidade — a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). Esta nova etapa é ainda mais simbólica por ocorrer na Amazônia brasileira, evidenciando tanto o território, com suas potências e vulnerabilidades, quanto as instituições que nele atuam. Destaca-se, em especial, o protagonismo histórico do Instituto Evandro Chagas (IEC), um polo de produção científica essencial para a saúde pública na Amazônia brasileira. Este número especial é exemplo dessa relevância.</p> <p>Para os gestores do SUS, o IEC tem sido um parceiro estratégico, mobilizando seu capital humano e estrutura institucional para apoiar decisões baseadas em evidências. Essa colaboração tem sido fundamental em diversas frentes — desde estudos entomológicos realizados em parceria com programas de enfrentamento à malária até pesquisas que documentam os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B4"><sup>4</sup></a>, especialmente no contexto das doenças tropicais sensíveis ao clima, como a doença de Chagas, entre outras<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B5"><sup>5</sup></a>.</p> <p>Importa destacar as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) sobre mudanças climáticas e saúde. Ambas as instituições vêm reiterando a necessidade de adaptação dos sistemas de saúde, com políticas específicas e mecanismos de resposta aos riscos climáticos. Aprovadas em Assembleias Mundiais da Saúde, as Resoluções WHA61.19, WHA77.2 e WHA77.14 tratam de mudanças climáticas, saúde e participação social na governança. Em maio de 2025, o primeiro Plano Global em Mudanças Climáticas e Saúde (2025-2028) foi adotado durante a Assembleia Mundial da Saúde<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B6"><sup>6</sup></a>. Complementarmente, diversas iniciativas têm buscado integrar os sistemas de saúde ao enfrentamento das mudanças climáticas, como a Aliança para a Ação Transformadora em Clima e Saúde (ATACH, por sua sigla em inglês)<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B7"><sup>7</sup></a>, cujo secretariado está sediado na OMS, e os compromissos firmados com a Coalizão de Baku para Saúde e Clima<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B8"><sup>8</sup></a>, formada pelos países que exerceram as presidências das COP de 26 a 30 — Reino Unido, Egito, Emirados Árabes Unidos, Azerbaijão e Brasil.</p> <p>No Brasil, o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima no Setor Saúde, conhecido como AdaptaSUS<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B9"><sup>9</sup></a>, foi elaborado de forma participativa, com a colaboração de áreas técnicas do Ministério da Saúde, especialistas, instituições de pesquisa, gestores estaduais e municipais, além de representantes da sociedade civil. O Plano tem a equidade como princípio norteador e busca fortalecer a integração federativa e intersetorial. Está alinhado às diretrizes nacionais de adaptação coordenadas pelo Ministério do Meio Ambiente, garantindo coerência com a Política Nacional sobre Mudança do Clima, a Agenda 2030 e o Acordo de Paris e aponta soluções de adaptação que vão muito além das respostas técnicas emergenciais, abordando riscos como aumento da morbimortalidade, da demanda por serviços e de emergências em saúde pública, com ações em vigilância, atenção, promoção e educação em saúde, além de ciência, tecnologia, inovação e produção.</p> <p>O AdaptaSUS foi construído com base em experiências concretas de adaptação e resiliência diante de crises que desafiam o SUS, incluindo o cotidiano da reorganização e preparação dos serviços de saúde para enfrentar impactos já perceptíveis. Um exemplo dessas experiências é a criação do Centro de Operações e Resiliência SUS, na cidade do Rio de Janeiro — parceria entre a Prefeitura Municipal, o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B10"><sup>10</sup></a>. Também são emblemáticas as respostas da saúde pública às enchentes no Rio Grande do Sul<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B11"><sup>11</sup></a>&nbsp;e às secas severas na Amazônia<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B12"><sup>12</sup></a>, que ilustram a importância de estratégias intersetoriais baseadas em ciência.</p> <p>Em âmbito internacional, o Brasil reafirma seu compromisso de colocar a saúde no centro da agenda climática global durante a COP30, por meio do Plano de Ação em Saúde de Belém<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B13"><sup>13</sup></a>, proposta que articula esforços internacionais, regionais e nacionais para promover a adaptação e resiliência dos sistemas de saúde, em consonância com o Objetivo 16 da Agenda de Ação da COP. Como documento de adesão voluntária pelos países, o Plano propõe medidas concretas de adaptação do setor saúde às mudanças climáticas, com apoio de organizações multilaterais, fundações filantrópicas e bancos de desenvolvimento. Considera, em particular, as necessidades dos países em desenvolvimento, reconhecendo que os impactos climáticos ampliam desigualdades e vulnerabilidades.</p> <p>O Plano de Ação em Saúde de Belém também está alinhado ao 14º Programa Geral de Trabalho da OMS (GPW14), ao Plano de Ação Global sobre Mudança Climática e Saúde (2025-2028)<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B6"><sup>6</sup></a>, à Meta Global de Adaptação e ao Programa de Trabalho UAE-Belém. Apoia-se, ainda, no progresso alcançado no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), especialmente nas iniciativas lançadas desde a COP26.</p> <p>Com dois eixos transversais — Equidade e Justiça Climática, e Governança com Participação Social —, o Plano de Ação em Saúde de Belém organiza-se em três linhas de ação:</p> <p>&nbsp;</p> <div class="list"><a name="idp15886096"></a> <ul> <li> <p>(1) Vigilância e monitoramento;</p> </li> <li> <p>(2) Políticas baseadas em evidências e capacitação; e</p> </li> <li> <p>(3) Inovação, produção e saúde digital.</p> </li> </ul> </div> <p>&nbsp;</p> <p>O documento, construído com ampla participação social, por meio de consultas e eventos nacionais e internacionais — como a Assembleia Mundial da Saúde, a Assembleia Geral da ONU e a Conferência Global de Clima e Saúde —, reforça a liderança do Brasil na promoção de um mutirão internacional voltado a resultados concretos para a agenda de saúde e clima.</p> <p>É nesse cenário que se insere a importância deste fascículo e de sua temática. As contribuições acadêmicas aqui reunidas oferecem valiosa reflexão sobre o papel da ciência, das políticas públicas e da saúde coletiva diante do atual momento histórico. Trata-se de um compromisso que requer continuidade, profundidade e, sobretudo, responsabilidade na formulação e implementação de políticas públicas orientadas por evidências científicas.</p> Alexandre Rocha Santos Padilha, Mariângela Batista Galvão Simão, Agnes Soares da Silva Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1877 Thu, 17 Apr 2025 00:00:00 +0000 Dois líderes de direita na pandemia de COVID-19: uma avaliação retrospectiva de Brasil e Austrália https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1809 <p>No início da pandemia de COVID-19, Austrália e Brasil eram governados por líderes de direita comparados a Donald Trump. Apesar de convergências políticas, as respostas adotadas por Scott Morrison e Jair Bolsonaro foram marcadamente distintas. Bolsonaro implementou uma estratégia pautada no negacionismo, na disseminação de desinformação e na politização da saúde, resultando em alguns dos piores desfechos da pandemia no mundo. Morrison, por sua vez, adotou medidas amplamente fundamentadas em evidências científicas, como o fechamento precoce de fronteiras, protocolos rigorosos de quarentena, fortalecimento da capacidade de rastreamento de contatos e ampla testagem baseada em PCR, o que contribuiu para manter taxas relativamente baixas de infecção e mortalidade. A análise retrospectiva evidencia o impacto significativo das escolhas desses líderes na gestão dessa crise sanitária, demonstrando que políticas públicas de saúde baseadas em ciência podem coexistir com governos de direita e que, mesmo uma adesão moderada a evidências e práticas responsáveis, pode salvar vidas independentemente da orientação política.</p> Heslley Machado Silva, Thomas Aechtner Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1809 Thu, 17 Apr 2025 00:00:00 +0000 Alexandre da Costa Linhares https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1771 <p>Em 13 de abril de 2025, deixou-nos o nosso querido Alexandre da Costa Linhares, mais conhecido como Dr. Linhares, médico dedicado que queria ser neurocirurgião, mas, ao conhecer o Instituto Evandro Chagas (IEC), apaixonou-se pela investigação científica e se tornou Virologista. A partir de então, um mundo se descortinou a sua frente, quando descobriu os rotavírus em uma criança com diarreia internada na Santa Casa de Misericórdia do Pará, agente este causador de gastroenterite grave em crianças, impulsionando assim a pesquisa desse importante vírus no país<a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100060&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B1"><sup>1</sup></a><sup>,</sup><a href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2176-62232025000100060&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#B2"><sup>2</sup></a>. Eram muitos os desafios; contudo, nenhum lhe trouxe desesperança. Cada projeto iniciado e finalizado era uma etapa vencida com muita alegria e a certeza do dever cumprido. Sua dedicação e amor à pesquisa foram cruciais para ganhar aliados à causa do bem, pois tinha a capacidade de libertar o potencial máximo de cada um e estimular o que havia de melhor naqueles que estiveram ao seu lado ao longo de sua trajetória no IEC e em outras instituições.</p> Joana D'Arc Pereira Mascarenhas Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1771 Thu, 17 Apr 2025 00:00:00 +0000 Maria José von Paumgartten Deane (1916–1995): pioneira da Medicina Tropical e da Parasitologia na América Latina https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1764 <p>Maria José von Paumgartten Deane (1916–1995) nasceu em Belém, Pará, Brasil, formando-se pela Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará em 1937. Foi a única mulher do grupo de Evandro Chagas que procurou pacientes com leishmaniose visceral americana (LVA) no Pará. Participou da campanha de erradicação do Anopheles gambiae (1939–1942). Casou-se com Leônidas Deane em 1940, com quem compartilhou pesquisas até enviuvar em 1993. Viajou com o marido pela Amazônia (1942–1944), estudando a transmissão da malária e a fauna nativa de anofelinos. Concluiu o mestrado (1945) na Escola de Higiene e Saúde<br>Pública Johns Hopkins, em Baltimore, Estados Unidos. Depois, em Belém, estudou a filariose, a leptospirose e os tripanossomatídeos e seus hospedeiros vertebrados e invertebrados silvestres. Em 1954, investigou, com Leônidas, o surto de LVA em Sobral, Ceará, encontrando o primeiro hospedeiro vertebrado silvestre do calazar neotropical. Nos anos 1960 e 1970, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, dedicou-se ao estudo da biologia e ultraestrutura do Trypanosoma cruzi e de outros tripanossomatídeos. Desejando permanecer perto da filha, exilada desde 1969, trabalhou no Instituto de Higiene e Medicina<br>Tropical de Lisboa (1975–1976), em Portugal, e na Universidade de Carabobo (1976–1979), na Venezuela. No Instituto Oswaldo Cruz (1980–1995), no Rio de Janeiro, descreveu o duplo ciclo do T. cruzi no gambá, a descoberta mais significativa da derradeira fase da sua trajetória. Pela abrangência, relevância e cronologia das suas contribuições, Maria pode ser considerada a pioneira da Medicina Tropical e da Parasitologia na América Latina e uma das pioneiras no mundo.</p> Francisco José Roma Paumgartten, Ana Cecilia Amado Xavier de Oliveira Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1764 Thu, 17 Apr 2025 00:00:00 +0000 Estado reacional em uma hanseníase tuberculoide atípica limítrofe: um espectro de reação hansênica tipo 2? https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1713 <p>A hanseníase é uma doença granulomatosa, crônica e neurocutânea, com largo espectro de características clínicas, histopatológicas e imunológicas. Reações hansênicas podem acontecer em qualquer estágio da doença, mesmo em indivíduos não tratados, refletindo mudanças abruptas no equilíbrio imunológico do hospedeiro. Relata-se o caso de uma paciente do sexo feminino, previamente hígida, encaminhada ao serviço de dermatologia devido queixa de lesão única, assintomática, localizada na coxa esquerda há cerca de cinco anos. O diagnóstico de hanseníase borderline-tuberculoide (BT) foi feito. Nos 30 dias seguintes, a paciente apresentou sintomas sistêmicos e múltiplas bolhas hemorrágicas nos membros inferiores, levando à suspeita imediata de reação hansênica tipo 2 atípica. A forma BT é caracterizada por poucas placas infiltradas dispersas, associadas a espessamento nervoso assimétrico e irregular. A histopatologia normalmente evidencia granuloma composto por células epitelioides e uma mistura de macrófagos e linfócitos. As reações hansênicas tipo 2 geralmente se manifestam como pápulas, placas e nódulos dolorosos. Apesar dos diversos padrões já descritos na literatura, o diagnóstico dessas reações permanece desafiador.</p> Felipe Marinho Rocha de Macêdo, Carolina Barbosa Farias, Maria Cecilia Leal Ardito, Luiza Gonçalvez de Arruda Ferraz, Tárcio dos Santos Pereira, Márcio Martins Lobo Jardim Copyright (c) 2025 https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1713 Thu, 17 Apr 2025 00:00:00 +0000