Alterações eletrocardiográficas durante e após tratamento com benzonidazol em fase aguda de doença de Chagas autóctone da Amazônia brasileira
Palavras-chave:
Doença de Chagas, Doença Aguda, Miocardite, Estudos de CoortesResumo
Avaliar o comprometimento cardíaco associado às infecções agudas por Tripanosomas considerando os distúrbios de condução elétrica e ritmo cardíacos apresentados durante a fase aguda e após tratamento, em uma casuística de doença de Chagas autóctone da Amazônia. Foram analisadas duas coortes de indivíduos: uma em fase aguda (coorte I) e outra (coorte II) feita nos mesmos pacientes reavaliados em período médio da primeira coorte, de 3,9 anos após tratamento. Entre os indivíduos da coorte I, a análise eletrocardiográfica foi realizada em eletrocardiogramas recuperados e submetidos à nova leitura e em eletrocardiogramas realizados prospectivamente. Todos foram submetidos a tratamentos regulares com benzonidazol. Foram estudados 179 indivíduos que tiveram doença de Chagas aguda no período entre 1992 e 2005. Na fase aguda, 47,7% dos traçados eletrocardiográficos apresentaram-se normais e em 52,3% registraram-se anormalidades. As alterações difusas de repolarização ventricular e baixa voltagem de QRS foram as principais anormalidades. Em 39,1% dos pacientes houve comprometimento cardíaco caracterizado por miopericardite, sendo que 24,3% (17/70) dos casos foram considerados graves. Foi demonstrada maior frequência de alterações eletrocardiográficas após tratamento em pacientes que manifestaram alteração eletrocardiográfica durante a fase aguda, comparativamente àqueles que não apresentaram. Outros cinco indivíduos que apresentaram diagnósticos tardios e manifestaram miocardite difusa durante o período agudo evoluíram insatisfatoriamente, uma vez que desenvolveram forma cardíaca com lesões de cardiopatia crônica.