Parasitismo intestinal em comunidades tradicionais vivendo ao redor de uma área de proteção ambiental no estado do Maranhão, nordeste do Brasil
Palavras-chave:
Parasitismo Intestinal, Parque Nacional da Chapada das Mesas, Helmintíases Transmitidas pelo SoloResumo
OBJETIVOS:
Estimar a prevalência e descrever os fatores socioecológicos associados ao parasitismo intestinal em comunidades rurais e periurbanas ao redor de uma área de proteção ambiental no estado do Maranhão, Brasil.
MATERIAIS E MÉTODOS:
Estudo transversal, realizado com 469 indivíduos de duas comunidades do entorno do Parque Nacional da Chapada das Mesas. Exames parasitológicos qualitativos e quantitativos foram realizados, e dados socioecológicos foram avaliados. Um sistema de informações geográficas foi utilizado para a análise espacial.
RESULTADOS:
A prevalência de ancilostomíase foi de 20,6% em Canto Grande e 2,4% em Alto Bonito. A prevalência de ascaridíase em Canto Grande e Alto Bonito foi de 0,4% e 2,9%, respectivamente. Infecções por protozoários intestinais foram mais frequentes em Alto Bonito. A ancilostomíase foi associada ao sexo masculino, defecação a céu aberto, pisos de barro nas casas e menor renda familiar mensal. A ascaridíase foi associada à defecação a céu aberto. A ingestão de água diretamente de um rio foi associada à infecção por Giardia duodenalis. Um total de 86,0% dos indivíduos positivos para ancilostomídeos apresentaram intensidade de infecção leve, 4,0% moderada e 10,0% intensa. O geoprocessamento demonstrou que os hotspots de helmintos transmitidos pelo solo estavam em Canto Grande, enquanto os protozoários estavam concentrados em Alto Bonito.
CONCLUSÃO:
O parasitismo intestinal deve ser considerado um grupo heterogêneo de infecções com determinantes distintos nas localidades estudadas. Sua persistência revela a inadequação do saneamento nas comunidades tradicionais do entorno do Parque Nacional da Chapada das Mesas.