Frequência alélica do Sistema de Grupo Sanguíneo Duffy em indivíduos de uma população da Amazônia brasileira e sua relação com a infecção por Plasmodium vivax

Autores

  • Simone Weber Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e Recursos Naturais, Universidade do Estado do Amazonas, Manaus, Amazonas, Brasil
  • Wanderli Pedro Tadei Laboratório de Malária e Dengue, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, Amazonas, Brasil
  • Adriana Sotero Martins Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental, Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Palavras-chave:

Malária Vivax, Sistema do Grupo Sanguíneo Duffy, Plasmodium vivax; Frequência do Gene; Receptores de Quimiocinas

Resumo

INTRODUÇÃO: No Brasil, a malária é a mais expressiva das endemias e está presente principalmente na Amazônia, cujas condições climáticas, hidrográficas, pluviométricas e de ocupação humana desordenada favorecem os criadouros de mosquitos vetores. A glicoproteína eritrocitária, carreando os determinantes dos antígenos de grupo sanguíneos Duffy, também chamada de Duffy antigen receptor for chemokines (DARC), é necessária como ligante no processo de invasão eritrocitária pelo merozoíto de Plasmodium vivax.
OBJETIVO: Este estudo objetivou determinar as frequências dos alelos Duffy em indivíduos de área endêmica para a malária na Amazônia, relacionando suscetibilidade e resistência em adquirir a infecção por P. vivax.
MATERIAIS e MÉTODOS: O Município de Presidente Figueiredo, no Estado do Amazonas, Brasil, foi selecionado para a coleta das amostras de um total de 244 indivíduos. Foram realizadas coletas de sangue total para fenotipagem e genotipagem Duffy e também uma coleta por punção digital para realização do teste da Gota Espessa, para o diagnóstico da malária. As amostras de sangue foram submetidas à fenotipagem pelo teste de hemaglutinação (DiaMed) e genotipagem dos alelos Duffy por meio da reação de polimerização em cadeia (Polymerase Chain Reaction - PCR). As comparações entre as frequências genotípicas e fenotípicas foram realizadas com base no teste qui-quadrado (χ2) de Pearson, com nível de significância de 5%. A análise estatística foi realizada pelo programa Epi InfoTM, versão 3.43, Centers for Disease Control and Prevention (CDC), Atlanta, EUA.
RESULTADOS: Do total de indivíduos pesquisados, 164 eram negativos e 80 positivos para P. vivax. Os achados mostram uma alta frequência do genótipo FYAFYB (47,5%), seguida de FYBFY (15,6%); FYAFYA (14,3%); FYBFYB (11,5%); FYAFY (8,6%) e, com 2,5%, o genótipo FYFY. A frequência dos alelos FYAFYB e FY foi, respectivamente, de 55%, 38,8% e 6,3% em infectados e 36,3%, 45,1% e 18,6% em negativos. O genótipo nulo não foi encontrado em infectados, porém esteve presente em 3,7% do grupo negativo.
CONCLUSÃO: O alelo FYA foi significativamente mais frequente em infectados (p = 0,00643), enquanto que o alelo FYB apareceu em maior quantidade no grupo negativo, mas não significativamente (p = 0,34632), e o alelo FY foi significativamente mais prevalente nos negativos (p = 0,00904). Corroborando com a hipótese que o alelo FY confere proteção, os dados mostraram que FY em homozigose não esteve presente no grupo de pacientes infectados com malária. Em heterozigose, o alelo FY mostrou ainda um decréscimo significativo na suscetibilidade encontrada para o alelo FYA, e, quando associado ao alelo FYB, mostrou uma proteção estatisticamente significativa. Esses achados sugerem que essas mutações naturais podem ser uma seleção vantajosa conduzindo a mecanismos parciais de defesa contra o P. vivax em áreas endêmicas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Publicado

05-08-2010

Como Citar

Schneider Weber, S., Tadei, W. P., & Sotero Martins, A. (2010). Frequência alélica do Sistema de Grupo Sanguíneo Duffy em indivíduos de uma população da Amazônia brasileira e sua relação com a infecção por Plasmodium vivax. evista an-Amazônica e aúde, 1(2). ecuperado de https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1522

Edição

Seção

Resumo de tese e dissertação