Frequência alélica do Sistema de Grupo Sanguíneo Duffy em indivíduos de uma população da Amazônia brasileira e sua relação com a infecção por Plasmodium vivax
Palavras-chave:
Malária Vivax, Sistema do Grupo Sanguíneo Duffy, Plasmodium vivax; Frequência do Gene; Receptores de QuimiocinasResumo
INTRODUÇÃO: No Brasil, a malária é a mais expressiva das endemias e está presente principalmente na Amazônia, cujas condições climáticas, hidrográficas, pluviométricas e de ocupação humana desordenada favorecem os criadouros de mosquitos vetores. A glicoproteína eritrocitária, carreando os determinantes dos antígenos de grupo sanguíneos Duffy, também chamada de Duffy antigen receptor for chemokines (DARC), é necessária como ligante no processo de invasão eritrocitária pelo merozoíto de Plasmodium vivax.
OBJETIVO: Este estudo objetivou determinar as frequências dos alelos Duffy em indivíduos de área endêmica para a malária na Amazônia, relacionando suscetibilidade e resistência em adquirir a infecção por P. vivax.
MATERIAIS e MÉTODOS: O Município de Presidente Figueiredo, no Estado do Amazonas, Brasil, foi selecionado para a coleta das amostras de um total de 244 indivíduos. Foram realizadas coletas de sangue total para fenotipagem e genotipagem Duffy e também uma coleta por punção digital para realização do teste da Gota Espessa, para o diagnóstico da malária. As amostras de sangue foram submetidas à fenotipagem pelo teste de hemaglutinação (DiaMed) e genotipagem dos alelos Duffy por meio da reação de polimerização em cadeia (Polymerase Chain Reaction - PCR). As comparações entre as frequências genotípicas e fenotípicas foram realizadas com base no teste qui-quadrado (χ2) de Pearson, com nível de significância de 5%. A análise estatística foi realizada pelo programa Epi InfoTM, versão 3.43, Centers for Disease Control and Prevention (CDC), Atlanta, EUA.
RESULTADOS: Do total de indivíduos pesquisados, 164 eram negativos e 80 positivos para P. vivax. Os achados mostram uma alta frequência do genótipo FYAFYB (47,5%), seguida de FYBFY (15,6%); FYAFYA (14,3%); FYBFYB (11,5%); FYAFY (8,6%) e, com 2,5%, o genótipo FYFY. A frequência dos alelos FYA, FYB e FY foi, respectivamente, de 55%, 38,8% e 6,3% em infectados e 36,3%, 45,1% e 18,6% em negativos. O genótipo nulo não foi encontrado em infectados, porém esteve presente em 3,7% do grupo negativo.
CONCLUSÃO: O alelo FYA foi significativamente mais frequente em infectados (p = 0,00643), enquanto que o alelo FYB apareceu em maior quantidade no grupo negativo, mas não significativamente (p = 0,34632), e o alelo FY foi significativamente mais prevalente nos negativos (p = 0,00904). Corroborando com a hipótese que o alelo FY confere proteção, os dados mostraram que FY em homozigose não esteve presente no grupo de pacientes infectados com malária. Em heterozigose, o alelo FY mostrou ainda um decréscimo significativo na suscetibilidade encontrada para o alelo FYA, e, quando associado ao alelo FYB, mostrou uma proteção estatisticamente significativa. Esses achados sugerem que essas mutações naturais podem ser uma seleção vantajosa conduzindo a mecanismos parciais de defesa contra o P. vivax em áreas endêmicas.