Leishmania chagasi Cunha & Chagas, 1937: nativa ou introduzida? Uma breve revisão

Autores

  • Fernando Tobias Silveira Seção de Parasitologia, Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Ananindeua, Pará, Brasil. Núcleo de Medicina Tropical, Universidade Federal do Pará, Belém, Pará, Brasil
  • Carlos Eduardo Pereira Corbett Departamento de Patologia, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil

Palavras-chave:

Leishmania, Leishmaniose Visceral, Leishmania chagasi

Resumo

Esta revisão aborda a etiologia da leishmaniose visceral americana devido a uma recente polêmica sobre a origem do seu agente etiológico, a Leishmania chagasi Cunha & Chagas, 1937. Conforme é sabido, este parasito foi descrito como uma nova espécie de Leishmania em razão da sua incapacidade de produzir, experimentalmente, a leishmaniose visceral no cão doméstico; este caráter a diferenciou de outro agente etiológico já conhecido da leishmaniose visceral na Bacia do Mediterrâneo na Europa: Leishmania infantum Nicolle, 1908. Após 50 anos da descrição da Leishmania chagasi, o gênero Leishmania sofreu ampla revisão e o parasito foi reclassificado como um membro do subgênero Leishmania, espécie Leishmania (Leishmania) chagasi. Recentemente, em seguida a uma análise molecular usando a técnica da amplificação aleatória polimórfica do DNA (RAPD), que comparou a L. (L.) chagasi com a L. (L.) infantum, foi concluído que ambos os parasitos eram geneticamente indistinguíveis e, portanto, que a L. (L.) chagasi era sinônimo de L. (L.) infantum. Por esse motivo, esta revisão procurou agregar todo o conhecimento sobre a eco-epidemiologia da L. (L.) chagasi na Amazônia brasileira, principalmente acerca dos hábitos silvestres de seu flebotomíneo vetor, Lutzomyia longipalis, e seu reservatório vertebrado, a raposa do campo Cerdocyon thous, com o propósito de demonstrar que a L. (L.) chagasi não pode ser negligenciada do cenário parasitológico da leishmaniose visceral no Novo Mundo; ela deve ser considerada, pelo menos em um nível subespecífico, como Leishmania (L.) infantum chagasi.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Publicado

05-08-2010

Como Citar

Fernando Tobias Silveira, & Carlos Eduardo Pereira Corbett. (2010). Leishmania chagasi Cunha & Chagas, 1937: nativa ou introduzida? Uma breve revisão. evista an-Amazônica e aúde, 1(2). ecuperado de https://ojs.iec.gov.br/rpas/article/view/1593

Edição

Seção

Artigo de Revisão

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)