Tendência das taxas de detecção da hanseníase em um estado da Região Norte do Brasil
Palavras-chave:
Hanseníase, Doenças Endêmicas, Atenção Primária à Saúde, Série HistóricaResumo
OBJETIVO:
Descrever a tendência das taxas de detecção de casos de hanseníase nos 13 Centros Regionais de Saúde (CRS) do estado do Pará, Brasil.
MATERIAIS E MÉTODOS:
Estudo ecológico, do tipo exploratório, incluindo casos novos de hanseníase existentes no Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do período de 2000 a 2019, nos municípios agrupados em CRS do Pará. Foram utilizados como variáveis a idade, o ano de diagnóstico e o município de residência. A classificação de hiperendemicidade seguiu os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
RESULTADOS:
No período analisado, foram notificados 98.342 casos novos de hanseníase. Desse total, 87.425 (88,9%) atenderam aos critérios de inclusão, com média anual de 4.371 (± 1.201) casos. Do total de casos notificados, 10,57% (9.240) ocorreram em menores de 15 anos de idade. Observou-se que a hiperendemicidade na população geral se manteve no 5º, 8º, 10º, 11º e no 12º CRS desde 2000 até 2019. Nos menores de 15 anos de idade, foram os mesmos centros, com exceção do 5º CRS.
CONCLUSÃO:
A heterogeneidade dos níveis de endemicidade ao longo da série histórica e em diferentes territórios possibilita inferir que a análise de uma doença infectocontagiosa, em locais de grandes dimensões territoriais, com diversidades culturais e vulnerabilidade social, deve ser particularizada por territórios específicos, identificando assim as populações que contribuem para a manutenção dos níveis elevados de endemicidade.